A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPMT) integrou a banca examinadora multidisciplinar que avaliou projetos inovadores de estudantes de Direito voltados à solução consensual de conflitos e à pacificação social, premiados na última terça-feira (3) em Rondonópolis (a 216 km de Cuiabá).
A ação fez parte da 3ª edição do Prêmio Acadêmico de Conciliação, promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso.
Representando a DPMT, o defensor público Juliano Botelho de Araújo atuou como avaliador dos trabalhos apresentados pelos acadêmicos. Para o defensor, a iniciativa tem um papel importante na formação dos futuros profissionais do Direito, ao estimular uma mudança de cultura na forma de lidar com os conflitos.
“Como membro da Defensoria, também vejo com muita alegria e entusiasmo a iniciativa do Poder Judiciário e da OAB porque, além de contribuir para disseminar essa cultura da conciliação e da desjudicialização, leva ao campo acadêmico, onde vão se formar os novos profissionais do Direito, a importância desse método como uma forma de promover a pacificação social”, destacou.
O prêmio é uma iniciativa do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da comarca de Rondonópolis, em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
Nesta edição, a premiação ampliou a participação das instituições de ensino superior do município, envolvendo as coordenações dos cursos de Direito de quatro universidades.
A proposta foi incentivar os estudantes a pensar em alternativas que possam ser aplicadas na prática, contribuindo para uma Justiça mais próxima das pessoas e menos dependente da judicialização.

Formação e soluções – A avaliação dos trabalhos foi além da análise teórica. Os estudantes finalistas de cada instituição precisaram defender oralmente suas propostas diante de uma banca multidisciplinar, formada por representantes do Judiciário, advocacia, Ministério Público, Defensoria Pública e Procuradoria Municipal.
Foram considerados critérios como originalidade, fundamentação jurídica, capacidade de argumentação e, principalmente, a possibilidade de aplicação das ideias na realidade da comunidade e na atuação do Sistema de Justiça em Rondonópolis.
A participação de diferentes instituições na avaliação também reforçou o caráter colaborativo da iniciativa. Ao aproximar estudantes e profissionais que atuam diretamente na resolução de conflitos, o prêmio cria um espaço de troca de experiências e estimula a construção de soluções que considerem as necessidades concretas da população.
A conciliação e outros métodos consensuais permitem que as próprias pessoas envolvidas participem da construção de uma solução para o problema, com o auxílio de profissionais capacitados. Além de favorecer o diálogo, essas alternativas podem evitar o prolongamento de disputas judiciais e contribuir para relações sociais mais equilibradas.

Premiados – Os três primeiros colocados foram Yuri Lima Cézar Santos, em primeiro lugar; Ana Paula Zotti, em segundo; e Ana Júlia Gomes da Silva, em terceiro.
Os vencedores receberam troféus e certificados de atividades extracurriculares, além de incentivos para o ingresso no mercado jurídico, como cursos e oportunidades de estágio.
A premiação também reconheceu o envolvimento das instituições de ensino. A Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) recebeu o título de universidade que mais apoia a conciliação, em reconhecimento ao incentivo à participação dos estudantes e ao fortalecimento dos métodos consensuais de resolução de conflitos.
Para o coordenador do curso de Direito da UFR, Anderson Nogueira, a iniciativa aproxima o ambiente acadêmico da realidade da comunidade e a atuação do Sistema de Justiça, além de valorizar a contribuição dos futuros profissionais.
“Esse importante evento valoriza o protagonismo estudantil e aproxima o Poder Judiciário das instituições de ensino superior. Ao ouvir os estudantes e incentivar a apresentação de propostas, o Cejusc contribui não apenas para a formação acadêmica, mas também para a construção coletiva de soluções jurídicas e políticas públicas que atendam às necessidades da sociedade”, afirmou.
A participação da Defensoria Pública na iniciativa reforça a importância da atuação integrada entre os órgãos do Sistema de Justiça e do incentivo à cultura do diálogo. Ao estimular novas gerações de profissionais a buscar alternativas para a resolução de conflitos, o prêmio contribui para uma Justiça mais acessível, participativa e comprometida com a pacificação social.