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CUIABÁ E VÁRZEA GRANDE


Defensoria Pública realiza coleta de sangue para exames de DNA do projeto Meu Pai Tem Nome

Dezenas de pessoas participam da etapa que busca viabilizar o reconhecimento de paternidade e a inclusão do nome do pai na certidão de nascimento

Por Marcia Olivera
10 de de 2026 - 16:36
Defensoria Pública realiza coleta de sangue para exames de DNA do projeto Meu Pai Tem Nome


“Para toda criança é importante ter o nome do pai nos documentos”. A frase é do trabalhador autônomo, Wenderson Francisco dos Santos, um dos beneficiados pela 5ª edição do projeto Meu Pai Tem Nome, em execução em 17 Núcleos da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), em 2026. Ele foi um dos que esteve nesta sexta-feira (10), no prédio dos Núcleos Cíveis Integrados, em Cuiabá, para a coleta de sangue para o exame de DNA. 

Após meia década de vida, Santos afirma que finalmente terá o nome do pai em seu registo civil. O projeto em andamento em todo o Brasil é organizado pelo Colégio Nacional de Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), via Defensorias Públicas dos estados. 

Santos conta que a ausência do nome do pai em seus documentos e também a falta dele nos eventos escolares, na convivência social e na vida, sempre foram motivo de mágoa e ressentimento. “Os adultos tomam decisões que afetam a vida de seus filhos para a vida toda. Eu não convivi diariamente com o meu pai e nem tive o nome dele em minha certidão de nascimento por uma decisão de minha mãe. Já adulto, ela me disse que fez errado, que me privou da convivência com ele por um medo dela. E a minha história de vida serviu de base para eu fazer o completo oposto, ao ser pai”, disse.

Ele conta que sempre sofreu no dia dos pais, quando além de não ter o dele nos eventos, também ficava sem a mãe, que nunca podia ir. “Quando um amigo da rua trazia um brinquedo feito pelo pai dele, pra brincar, eu também me sentia muito desamparado. Sempre tinha os sarros e aquilo abala a gente, mesmo a gente tentando que não faça diferença”.

Santos cresceu e, pelo esforço da família paterna, conseguiu ter o mínimo de contato com o pai, com quem veio na DPEMT buscar a legalização de sua paternidade. “Há uns cinco anos fomos no cartório e o valor, o tempo do processo e toda a burocracia ficou inviável para nós. Mas graças a Deus ficamos sabendo desse projeto, nos inscrevemos e agora, acredito que esse será um capítulo resolvido de nossa vida”, afirma.

A defensora pública responsável pelo trabalho em Cuiabá, Elianeth Nazário, explica que a coleta de sangue para o exame de DNA ocorre nesta sexta-feira (10) e no sábado (11), na Capital, onde, ao todo, serão feitas 41 coletas. O procedimento também foi realizado na quinta-feira (9) e nesta sexta-feira (10) em Várzea Grande. 

“Na Capital organizamos a coleta em três grupos de pessoas, aquelas que são filhos de pais presos, aquelas que são filhos de pais já falecidos e os filhos dos pais livres e vivos. Nos casos dos filhos de pais já falecidos, o sangue do pai é substituído pelo sangue dos avós ou do maior número de parentes, preferencialmente, os tios”, explicou a defensora.

Elianeth também ressalta a importância social, emocional e legal do projeto. “Não ter o nome do pai nos registros de uma pessoa é uma ausência que afeta o psicológico, a cidadania e a proteção legal. Isso interfere na forma como essa pessoa se enxerga, como ela enxerga os outros e mesmo a paternidade. Trabalhamos bastante a importância da figura do pai na vida da família, na vida da criança e do próprio pai. Meu Pai tem Nome é um projeto fundamental, pois traz benefícios, traz cidadania e traz reconhecimento em todos os aspectos da vida”, disse.

A defensora lembra que saber a nossa origem é essencial até para evitar situações como a já atendida pelo órgão. “Quando a pessoa não sabe a sua origem, corre o risco de casar e ter filhos com irmãos, como um caso que já atendemos aqui. As pessoas se casaram e depois que já tinham tido filhos juntos, descobriram que ela e ele eram filhos do mesmo pai. Essa situação é uma das quais poucos falamos, parece enredo de filme, mas, acontece e já presenciamos aqui”, relatou.

A coleta de sangue para exame de DNA nos outros Núcleos do interior aconteceu no dia 3 de julho. E no dia 1º de agosto os resultados serão entregues, em todo o país. Em caso de resultado positivo, aqueles que tiverem interesse em ter o nome do pai na Certidão de Nascimento passarão por uma audiência de conciliação, na própria DPEMT, que encaminhará o pedido de retificação documental para a Justiça. Com a sentença favorável do juiz, os novos documentos poderão ser feitos.

Ao todo, o processo deve levar cerca de 90 dias. “Outra das vantagens de se fazer todo esse atendimento pelo projeto é que tudo é inteiramente gratuito para a família e o tempo de solução é reduzido, pois a Defensoria Pública centraliza a solução de várias etapas do procedimento”, conclui Elianeth.