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PROJETO FORTALECER


Defensoria sedia lançamento de projeto de ressocialização e promoção de direitos selecionado pelo Ministério da Justiça

Parceria a UFMT, uma das oito selecionadas em todo o país, engloba ações de acesso à justiça, apoio psicológico e social para reeducandos, egressos e familiares

Por Alexandre Guimarães
09 de de 2026 - 13:10
Alexandre Guimarães/DPEMT Defensoria sedia lançamento de projeto de ressocialização e promoção de direitos selecionado pelo Ministério da Justiça


​Na tarde da última segunda-feira (8), a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT) sediou o seminário de lançamento do Projeto Fortalecer, no auditório da Escola Superior (Esdep-MT), em Cuiabá.

Promovida pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – por meio da Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência (Procev) e da Coordenação de Extensão (Codex) – em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Penais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senappen/MJSP), a iniciativa tem o objetivo de promover o acesso à justiça, aos direitos humanos e ao exercício pleno da cidadania dentro do sistema prisional.

A Defensoria Pública atua no projeto como instituição parceira, desempenhando um papel essencial na articulação, na orientação técnica e na viabilização dos fluxos de atendimento jurídico e interinstitucional.

A proposta é oferecer ações integradas nas áreas de direito, psicologia e serviço social, voltadas não apenas para as pessoas privadas de liberdade, mas também para egressos do sistema, familiares e demais grupos em situação de vulnerabilidade, como vítimas de violência doméstica e população LGBTQIAPN+.

Segundo a UFMT, a instituição foi uma das oito universidades selecionadas em todo o país para participar do Programa Fortalecer, promovido pela Senappen e pelo MJSP.

Atendimento multidisciplinar – ​O projeto atua com base na construção de oportunidades e no atendimento interdisciplinar, unindo as áreas de direito, psicologia, serviço social, linguagens e música.

A união das capacidades de formulação de políticas públicas da Senappen, da produção de conhecimento acadêmico da UFMT e da atuação direta da Defensoria na garantia de direitos representa um marco na resposta a problemas sociais complexos.

Sandra Jung de Matos, coordenadora do projeto e de extensão da UFMT, destacou a forte sinergia entre os campos de atuação.

“A gente não fala de direito sem falar do psicológico. Temos todas as interfaces lá dentro e histórias que espero que sejam olhadas com cuidado, com carinho”, afirmou.

O coordenador de Projetos da DPEMT, Yan Furquim, reforçou que a instituição é a principal porta de entrada para pessoas que têm seus direitos recusados, ressaltando o entusiasmo da equipe em executar a iniciativa.

A Defensoria desempenha um papel essencial na articulação, na orientação técnica e na viabilização dos fluxos de atendimento.

Atenção especial às mulheres e reintegração social – A proposta voltada para pessoas encarceradas, com monitoramento eletrônico e em situação de vulnerabilidade prevê a implantação de núcleos de atendimento no Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, e na Penitenciária Feminina Ana Maria Couto, em Cuiabá.

A coordenadora de Assuntos Interdisciplinares (CTAI) da DPEMT, Amanda Fontenelli Costa, destacou a articulação entre as instituições para o planejamento e a implementação do projeto: “Estamos ansiosos para colaborar e finalmente executar esse projeto”, pontuou.

O advogado e professor universitário, Douglas de Barros Ibarra Papa, chamou a atenção para o crescimento do encarceramento feminino e os altos índices de feminicídio em Mato Grosso.

Papa reforçou que os impactos do encarceramento de uma mulher são sentidos imediatamente por toda a família, o que exige uma resposta institucional, política e criminal contundente.

O trabalho conjunto visa reorganizar trajetórias de vida e provar que nenhuma pessoa deve ser invisível para o Estado e para a sociedade.

De acordo com os participantes, falar de reintegração social é falar de segurança pública com responsabilidade, garantindo que grupos invisibilizados sejam efetivamente reconhecidos como sujeitos de direitos.