Entre os diversos serviços oferecidos, histórias como a de Kussina Iara Karajá mostram, na prática, o impacto da presença da Defensoria dentro da aldeia. Aos 30 anos, ela buscou o atendimento para resolver uma situação que carregava há oito anos: o reconhecimento de sua união estável.
Morando com o companheiro há quase uma década, Kussina relatou o desconforto de não ter sua relação reconhecida formalmente. "Eu fiquei triste quando pedia para me inscrever em alguma coisa e não podia marcar 'casada'. Era sempre 'solteira' ou 'morando junto'", contou.
A oportunidade surgiu quando soube, pelas redes sociais, que o projeto estaria na aldeia. “Eu vi que teria essa oportunidade e resolvi vir. É muito difícil pra gente sair daqui, ir até outras cidades, é uma viagem longa e cara”, explicou.
Após o atendimento, o sentimento foi de emoção e conquista. "Agora eu vou sair daqui feliz. É uma oportunidade muito grande, não só pra mim, mas pra outras pessoas da comunidade também. A gente tem muita dificuldade de acesso a serviços como esse", disse.
A história de Kussina reflete uma realidade comum na Ilha do Bananal, onde o deslocamento até centros urbanos pode levar horas, ou até dias, e envolve custos que nem sempre são viáveis para as famílias.
Outra beneficiada foi Kokoa Kamaiwra Karajá, de 62 anos, que conseguiu avançar no processo de retirada da aposentadoria após tentativas frustradas fora da aldeia. "Eu já tinha tentado antes e não consegui. Agora deu certo, é só esperar", comemorou.
O defensor público de Mato Grosso José Edir Martins Júnior ressaltou que ações como essa vão além do atendimento individual. "Muitas vezes, a população nem sabe que possui determinados direitos. Quando levamos orientação jurídica até a comunidade fortalecemos o sentimento de cidadania e promovemos a inclusão", destacou.
O projeto Defensorias do Araguaia segue para Aldeia Itxalá, no município de Santa Terezinha (MT) com atendimentos integrados nas áreas jurídica, previdenciária e social,