A defensora explicou que a reunião também tratou da insegurança alimentar enfrentada pelos trabalhadores e sobre a necessidade de ampliar a inclusão socioeconômica da categoria. “Saímos daqui com respostas e encaminhamentos. Todas as vezes em que os atores se unem, temos a possibilidade de construir uma política pública afirmativa e com boa execução”.
O defensor público que atua em Cáceres e integra o Gaedic, Antônio Goes, avaliou que o encontro teve resultados positivos e marcou o reinício de um diálogo que deverá continuar até a definição de medidas concretas.
“Tivemos bons resultados, boas ideias e encaminhamentos para melhorar os serviços prestados à população e as condições de trabalho dos catadores. Agora foi apenas o recomeço. Vamos dar continuidade à renovação do contrato e à adoção de medidas paliativas, porque sabemos que essa é uma população vulnerável e que exige cuidado constante”, declarou.
Novo contrato - Durante a reunião, a diretora-executiva da Águas do Pantanal, Samara Ferreira, comprometeu-se a realizar um estudo sobre os valores pagos atualmente pelos serviços. Ela ainda informou que a autarquia deverá avaliar a possibilidade de realizar um novo chamamento público para credenciar organizações que trabalhem com diferentes tipos de materiais recicláveis para ampliar os serviços contratados, entre eles, o de prestação de informações para a população sobre educação ambiental.
Samara se comprometeu a apresentar a proposta resultante do estudo na próxima reunião, agendada para daqui a 30 dias. Ela também fez sugestões e solicitou que os rejeitos não sejam levados para os centros de triagem, pois esses materiais não podem ser reciclados e aumentam os riscos de contaminação, dificultam o manejo de recicláveis e geram custos adicionais para a limpeza dos galpões.
“Nós também pedimos ao Gaedic que faça um trabalho de esclarecimento com as associações para que não recebam rejeitos nos centros de triagem. O material deve ser separado na origem, especialmente pelos grandes geradores”, orientou.
Outro encaminhamento da Águas do Pantanal foi a solicitação feita à Prefeitura de Cáceres, para que envolva todas as secretarias municipais no trabalho de inclusão socioeconômica dos catadores e na oferta de melhor estrutura para a coleta.

Remuneração abaixo do mínimo - A promotora de Justiça que participou da reunião, Liane Mansano, afirmou que, apesar dos avanços alcançados nos últimos anos, a baixa remuneração dos trabalhadores ainda representa um dos principais problemas. Ela explicou que quando os valores recebidos pelas organizações são divididos entre os catadores, a renda individual é menor que o salário mínimo.
“Não é um valor justo para o trabalho que desempenham. Do ponto de vista ambiental, o trabalho dos catadores é um dos mais importantes realizados na cidade, porque evita que materiais recicláveis sejam aterrados e provoquem poluição e contaminação. Precisamos que eles possam contar também com melhor estrutura de trabalho, como caminhões e materiais para melhorar a separação dos resíduos. Para que o trabalho seja bem executado é de grande importância que todas as secretarias municipais participem da execução da política pública”, avaliou.
O vice-prefeito de Cáceres, Luiz Landim, que recebeu o grupo na Prefeitura, afirmou que a reunião tratou de questões importantes para o município e para a preservação ambiental, além de reafirmar a necessidade de valorização dos catadores.
Ele também pediu a colaboração de empresas, associações e grandes geradores de resíduos na hora de separação o lixo dos materiais recicláveis, tarefa que facilita a coleta.
“Precisamos melhorar o processo de coleta seletiva e todo esse trabalho para preservar e proteger o Rio Paraguai e para isso, contamos com toda a população”, declarou.