A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), em parceria com outras instituições do Sistema de Justiça, reforçou o alerta à população contra as crescentes tentativas de golpes virtuais.
O aviso ganha ainda mais relevância após o recente registro de ataques a e-mails institucionais, a partir de três endereços eletrônicos, evento tratado com cautela pelas equipes técnicas, mas que serve como lembrete prático de que a segurança da informação exige atenção constante de todos.
Para combater essas ameaças na ponta, a Unidade de Inteligência e Segurança Institucional (UISI) elaborou um novo material didático voltado aos cidadãos, detalhando as táticas dos criminosos e o passo a passo para não cair nessas armadilhas.
A iniciativa da DPEMT soma-se aos esforços de todo o Poder Judiciário mato-grossense para frear uma prática criminosa cada vez mais comum.
Em agosto deste ano, a Defensoria Pública, em conjunto com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a Associação Mato-Grossense de Magistrados (AMAM), a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT) e a Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT) lançaram a campanha “Não Caia em Golpes”, voltada à prevenção de crimes que usam a credibilidade da Justiça para enganar a população.
Estelionatários têm utilizado aplicativos de mensagem, como o WhatsApp, ou ligações telefônicas para se passar por autoridades – como juízes, defensores, advogados e servidores públicos.
O pretexto é sempre o mesmo: cobrar falsas taxas para liberar alvarás, destravar processos ou resolver supostas pendências urgentes.
A Associação dos Magistrados de Mato Grosso (Amam) também emitiu um comunicado alertando que a Justiça jamais solicita transferências bancárias ou Pix por meio dessas plataformas.
Como o golpe acontece – De acordo com a cartilha desenvolvida pela Segurança Institucional da DPEMT, o golpe costuma seguir um roteiro em quatro etapas.
O ciclo começa com um contato falso, evolui para a encenação de uma falsa autoridade e atinge o ápice quando o criminoso traz uma “boa notícia” ao cidadão.
O golpista afirma que a vítima ganhou uma causa – que pode envolver o pagamento de danos morais, a liberação de um alvará ou a concessão de um remédio.
É no momento de vulnerabilidade ou euforia que vem a extorsão: os golpistas exigem dados bancários, enviam links maliciosos de pagamento ou pedem a quitação de falsas custas.
Um detalhe importante apontado pela cartilha é que os criminosos frequentemente utilizam dados reais do processo para dar aparência de veracidade ao contato.
No entanto, a posse dessas informações não comprova que o atendimento é oficial.
De acordo com o coordenador de Inteligência e Segurança Institucional da DPEMT, Murilo Chimenes Peres, a principal técnica utilizada pelos golpistas é a chamada engenharia social.
“Valendo-se da figura de autoridade pública, funcionário de banco e até gerente. Em conversa, eles induzem a vítima a acreditar, mencionando dados pessoais obtidos na internet, gerando confiança entre golpista e vítima, quando então executam o golpe financeiro”, revelou.
Quando isso ocorrer, a vítima deve entrar em contato com o banco imediatamente para solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) – uma ferramenta exclusiva do Pix criada pelo Banco Central para ajudar vítimas de fraudes, golpes ou falhas operacionais a recuperarem o dinheiro transferido.
“É importante que a vítima retorne à Delegacia e solicite a representação criminal. A Coordenação de Inteligência da Defensoria busca trabalhar para promover ao público conhecimento para prevenção e medidas importantes a serem adotadas após sofrerem o golpe”, destacou.
Sinais de alerta – O material lista atitudes suspeitas que devem acionar o sinal de alerta imediato: o cidadão deve desconfiar sempre que houver imposição de urgência (“resolva agora ou perde o dinheiro”), pedido de senhas, solicitação de códigos de token ou SMS, cobrança de taxas de “proteção de saldo” e, principalmente, qualquer pedido para compartilhar ou espelhar a tela do celular durante o atendimento.
Para não restar dúvidas, a Defensoria Pública estabelece uma “Regra de Ouro”: a Instituição não cobra absolutamente nada por seus serviços e nunca pede senha, código ou acesso à tela do aparelho celular do assistido.
Se houver esse tipo de pedido, é golpe.
A recomendação é desligar na mesma hora e retornar o contato exclusivamente pelos números oficiais da Instituição.
O que fazer em caso de fraude – O material também orienta o cidadão sobre como proceder em dois cenários distintos.
Se o golpe for apenas tentado, a vítima não deve confirmar nenhum dado, precisa registrar um Boletim de Ocorrência (BO) – que pode ser feito online, pela Delegacia Digital da Polícia Civil (PCMT) – e deve avisar o Núcleo da DPEMT onde é atendida, para que a equipe verifique o possível uso indevido das informações processuais.
Já nos casos em que o golpe é consumado, a rapidez é o fator decisivo para recuperar o prejuízo. A vítima deve:
– Ligar imediatamente para o aplicativo, central ou agência do seu banco;
– Pedir o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED) o quanto antes, ferramenta que possibilita a devolução do dinheiro via Pix em até 96 horas, mediante análise bancária;
– Registrar o BO com o máximo de detalhes para facilitar o rastreio, incluindo prints de conversas, dados do golpista, chave Pix de destino, linha do tempo dos fatos e comprovantes;
– Trocar todas as senhas bancárias, de e-mail e de redes sociais.