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ORÇAMENTO CRIANÇA


DPMT propõe projeto inédito para garantir transparência em gastos na primeira infância

Projeto prevê anexos na Lei Orçamentária de 2027 para detalhar investimentos com crianças de até seis anos em Primavera do Leste-MT

Por Alexandre Guimarães
19 de de 2026 - 16:13
Reprodução DPMT propõe projeto inédito para garantir transparência em gastos na primeira infância


A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPMT) apresentou uma proposta pioneira à Prefeitura de Primavera do Leste (a 234 km de Cuiabá) para instituir o “Orçamento Criança” a partir do planejamento orçamentário de 2027.

O objetivo da medida é identificar de forma precisa, transparente e segregada todos os recursos públicos destinados a crianças de até seis anos e suas respectivas famílias.

A iniciativa busca responder a uma pergunta central para o controle social da cidade: qual é o valor exato planejado e executado anualmente pelo Município na política pública para a primeira infância.

A proposta, conduzida pela 6ª Defensoria Pública do Núcleo de Primavera do Leste, sugere a criação de uma sistemática contínua de monitoramento baseada em dois novos quadros anexos às contas da cidade.

O primeiro seria incorporado à Lei Orçamentária Anual (LOA) para evidenciar os gastos planejados para o ano seguinte. O segundo acompanharia o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), permitindo acompanhar e fiscalizar a aplicação real dos resultados.

Um dos pontos de maior destaque do projeto é o respeito à responsabilidade fiscal. A implementação do “Orçamento Criança” não implica aumento de despesa pública, tampouco cria obrigações financeiras adicionais à administração municipal.

A finalidade é apenas organizar e dar visibilidade às informações financeiras sobre os recursos que já existem no orçamento público e são voltados a essa faixa etária, garantindo eficiência administrativa.

Segundo o defensor público Nelson Gonçalves de Souza Júnior, a proposta é baseada na prioridade absoluta garantida às crianças pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Constituição Federal de 1988, além de estar em forte sintonia com a Lei nº 13.257/2016, conhecida como o Marco Legal da Primeira Infância.

A ferramenta também espelha os esforços recentes em âmbito federal, como o Projeto de Lei Complementar nº 174/2025, que propõe regras semelhantes de transparência para evidenciar despesas setoriais com a primeira infância no país.

Para viabilizar a adoção do instrumento, o defensor já iniciou os diálogos institucionais, reunindo-se com a cúpula do Poder Executivo e com a Procuradoria Jurídica municipal para apresentar a estrutura da proposta.

Em setembro deste ano, a Defensoria também formalizou o pedido por meio de ofício enviado diretamente ao prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machnic, solicitando a inclusão do órgão nas tratativas e na construção da LOA do próximo ano.

A expectativa da DPMT é que, ao adotar indicadores públicos claros para o acompanhamento dos resultados financeiros, a população tenha melhores condições de exercer o controle social, garantindo maior transparência e lisura na destinação dos impostos pagos pela população.