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Defensoria e órgãos do Sistema de Justiça se unem em campanha contra golpes digitais

Ação conjunta alerta para golpes que exploram a confiança no Sistema de Justiça e orienta a população a reconhecer abordagens fraudulentas

Por Djhuliana Mundel
28 de de 2026 - 17:29
Fotos: Isabela Mercuri/DPEMT Defensoria e órgãos do Sistema de Justiça se unem em campanha contra golpes digitais


A informação pode ser uma das principais formas de proteção contra os golpes virtuais. Com essa proposta, a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), em conjunto com o Poder Judiciário de Mato Grosso (TJMT), a Associação Mato-Grossense de Magistrados (AMAM), a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT) e a Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT) lançaram, nesta sexta-feira (28), a campanha “Não Caia em Golpes”, voltada à prevenção de crimes que utilizam a credibilidade do Sistema de Justiça para enganar a população. 

A iniciativa busca alertar sobre modalidades de estelionato digital, como os golpes do falso defensor público, do falso juiz, falso advogado e falso servidor. Criminosos têm utilizado informações públicas para criar abordagens cada vez mais sofisticadas, dando aparência de credibilidade e gerando prejuízos à população e instituições públicas. Para levar essas informações à população, a campanha contará com diferentes ferramentas de comunicação. Uma cartilha digital explica como os criminosos agem e apresenta sinais que podem ajudar a identificar as abordagens mais comuns. A iniciativa também prevê conteúdos jornalísticos, publicações nas redes sociais e outras ferramentas para ampliar o acesso à informação. 

A defensora pública-geral, Luziane Castro, destacou que além do impacto na confiança da população no Sistema de Justiça, os golpes, especialmente quando envolvem o público atendido pela DPEMT, que são pessoas em situação de vulnerabilidade, podem ir muito além da perda financeira. “As fraudes no ambiente digital assumem diferentes formas e se tornam cada vez mais sofisticadas. Quando envolvem o uso indevido do nome, da imagem ou da função de integrantes das nossas instituições, há ainda um elemento especialmente preocupante: a utilização da confiança que a população deposita no sistema de Justiça. Para a Defensoria Pública, essa preocupação é muito concreta. Estamos diariamente próximos de pessoas em situação de vulnerabilidade e sabemos que os impactos de uma fraude podem ir muito além da perda financeira e agravar situações que já são delicadas. Por isso, é importante ampliar a informação, fortalecer a prevenção e garantir que quem tiver seus direitos atingidos saiba onde buscar orientação e assistência”.

Representando o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, a juíza auxiliar da Presidência e secretária-geral do TJMT, Anna Paula Gomes de Freitas Sansão, destacou a necessidade de os órgãos do sistema de justiça unirem forças para combater os golpes. “Precisamos unir forças porque esse problema ultrapassou as fronteiras institucionais. Por isso, esse trabalho precisa ser perene, forte e atuante para que consigamos informar toda a sociedade. Uma vez que a sociedade está informada a respeito dos golpes, diminui-se o número de vítimas”, enfatizou. 

Atuação integrada - O trabalho será desenvolvido de forma integrada, reunindo instituições que fazem parte do Sistema de Justiça e da Segurança Pública. 

A presidente da AMAM e idealizadora da iniciativa, juíza Jaqueline Cherulli explicou que a ideia da campanha surgiu após uma tentativa de golpe envolvendo o nome de um falso juiz. A partir das mensagens recebidas e da necessidade de esclarecer a população, surgiu a mobilização para transformar a informação em uma ferramenta permanente de prevenção. “O engano é desfeito com informação e essa é a intenção da campanha. É uma iniciativa preventiva e educativa, para que a sociedade deixe de ser vítima desse tipo de golpe, que traz prejuízos para as pessoas. A cada dia o crime elabora uma versão melhor. Por isso, a gente pensa, investe e agora dá os primeiros passos na prevenção”, comentou.

Números atestam a necessidade - O comandante-geral adjunto da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel André Willian Dorileo apontou que dados de 2026 mostram a dimensão do desafio. Segundo ele, de janeiro a julho, Mato Grosso registrou mais de 19 mil crimes de estelionato, sendo que 62% ocorreram por meio eletrônico. Entre as ocorrências, também foram contabilizados cerca de 3,4 mil registros relacionados ao golpe do falso advogado. 

“Isso representa a migração dos crimes praticados por facções criminosas, da prática de tráfico, de roubos e extorsões, para os crimes eletrônicos. A PM pode ajudar também levando para os 142 municípios a conscientização, para que as pessoas não caiam nesses golpes que causam perda da capacidade financeira, desestruturam famílias e muitas vezes trazem descrédito às instituições”, disse. 

Somente na DPEMT, de janeiro a julho, foram registradas, pela Coordenação de Inteligência e Segurança Institucional, 48 ocorrências de tentativas ou consumação de golpes envolvendo assistidos e unidades da Defensoria Pública. O coordenador de Inteligência e Segurança Institucional, Murilo Chimenes Sales Peres, ressalta que os registros estão distribuídos por todo o estado. “As 48 ocorrências que registramos estão distribuídas entre os diversos núcleos da Defensoria, demonstrando que a prática criminosa possui alcance estadual e não está concentrada em uma única região. A Coordenação de Inteligência e Segurança Institucional desde o início dos incidentes que vieram a serem comunicados vem acompanhando e auxiliando defensores públicos, servidores e assistidos em como procederem ao sofrerem tentativas de golpes”.

A presidente da OAB-MT, Gisela Alves Cardoso ressaltou que os golpes se transformam e passam a utilizar diferentes figuras do Sistema de Justiça para conquistar a confiança das vítimas. A orientação, segundo ela, é não realizar transferências ou pagamentos diante de pedidos suspeitos e buscar confirmação diretamente com o profissional responsável ou as instituições competentes. “Esse golpe se inicia em 2021, como o 'golpe do falso advogado', e vai mudando. Agora, surge o falso juiz, falso promotor, falso defensor, sempre com o objetivo de causar prejuízo aos cidadãos e a aqueles que têm algum processo judicial em trâmite. Então, a união das instituições para combater esses golpes é um movimento importantíssimo”. 

Acesse a cartilha aqui.

Confira as fotos do lançamento aqui.