A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT) alertou para o crescimento da judicialização na área da saúde, especialmente em casos relacionados ao tratamento de câncer, durante audiência pública realizada nesta terça-feira (10) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O debate tratou da execução do contrato entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e o Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCAN), além da regularização de repasses financeiros à unidade.
A audiência, promovida pela Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da ALMT, reuniu ainda representantes do governo do estado, do Hospital de Câncer e do Ministério da Saúde. Um dos encaminhamentos foi a proposta de organizar uma força-tarefa para reduzir a fila de cirurgias oncológicas no estado.
Durante o debate, o defensor público Denis Thomaz Rodrigues destacou que a Defensoria Pública acompanha o aumento da demanda por atendimentos na rede pública de saúde, o que também tem impactado o número de processos judiciais envolvendo tratamentos oncológicos.
Segundo ele, a ampliação e a melhoria dos serviços públicos de saúde também contribuíram para o crescimento da procura da população. “A Defensoria Pública reconhece que os serviços de saúde melhoraram de forma significativa. Mas, em razão da melhora e da efetividade dos serviços de saúde, a procura por eles aumentou também de forma significativa”, afirmou.
O defensor explicou que, atualmente, a população de Mato Grosso confia no Sistema Único de Saúde (SUS) e busca cada vez mais atendimento na rede pública. Esse aumento da demanda, no entanto, tem provocado gargalos no fluxo de atendimento.
“Hoje, a população de Mato Grosso confia no SUS e o procura. E esse aumento de procura vem causando um problema de fluxo de atendimento, o que gera demora na prestação do serviço. Sabemos que, na saúde, a demora pode levar ao agravamento e à morte, principalmente quando se trata de assuntos oncológicos”, disse.