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ATENÇÃO PSICOSSOCIAL


Em defesa da saúde mental, Defensoria Pública debate fluxo de atendimento e vagas de internação na ALMT

Instituição participou de Câmara Setorial para avaliar dados do Hospital Adauto Botelho e propor soluções que garantam acesso rápido e digno a pacientes em MT

Por Alexandre Guimarães
12 de de 2026 - 15:42
Helder Faria/ALMT Em defesa da saúde mental, Defensoria Pública debate fluxo de atendimento e vagas de internação na ALMT


Para garantir que a população tenha acesso rápido e eficiente a tratamentos psicológicos e psiquiátricos, a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT) participou, na última segunda-feira (11), de uma reunião na Assembleia Legislativa (ALMT) sobre o sistema de saúde mental no estado.

Durante a Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção Psicossocial, a Instituição debateu com parlamentares e especialistas os gargalos na fila de regulação e o funcionamento atual das unidades de atendimento.

Representando a DPEMT, o coordenador do Subgrupo de Atuação em Saúde Mental (SGaedic Saúde Mental), defensor público Denis Thomaz Rodrigues, destacou que a situação do Hospital Adauto Botelho – principal unidade estadual do setor – é acompanhada de perto pela Instituição há anos.

O defensor ressaltou que a organização das vagas na saúde mental é um desafio complexo, que exige a união e a integração de toda a rede pública.

“A Defensoria Pública tem um papel ativo e permanente nessa comissão, visando a melhoria do sistema de saúde mental não só da capital, mas do estado como um todo”, afirmou.

Além dele, a DPEMT foi representada na reunião por Évila Aquino, gerente de Assessoramento ao Atendimento, e Karolline Oliveira, assistente social da Coordenadoria Técnica de Assuntos Interdisciplinares (CTAI).

Fila de espera e superlotação – No encontro, foram apresentados dados de uma visita técnica ao Hospital Adauto Botelho, revelando um cenário que preocupa a Defensoria.

Atualmente, 85% dos pacientes precisam esperar de 1 a 15 dias por uma internação via regulação, mas há casos extremos que chegam a 40 dias de espera.

Outro ponto de alerta é a concentração de atendimentos na capital. Embora Cuiabá represente cerca de 17% da população de Mato Grosso, seus moradores ocupam 34% das vagas do Adauto Botelho, evidenciando a necessidade de fortalecer o serviço no interior.

Hoje, a Unidade 1 do hospital abriga 88 pacientes e terá sua capacidade ampliada para 86 leitos oficiais após uma reforma prevista para julho. Já a Unidade 3, focada no atendimento masculino para dependência química, atende 21 pacientes.

A estrutura ainda precisa lidar com decisões judiciais que exigem a ampliação de vagas para pessoas do sistema prisional.

Foco na prevenção e atendimento nos bairros – Para mudar essa realidade de superlotação, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) apresentou um diagnóstico defendendo que o fluxo de urgência não pode depender apenas de internações em hospitais – o chamado modelo “hospitalocêntrico”.

A prioridade deve ser o fortalecimento dos 53 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) existentes em Mato Grosso, que oferecem tratamento contínuo e humanizado perto da casa do paciente.

Ação contínua da DPEMT – A participação no debate da Assembleia reforça um trabalho que a Defensoria já vem consolidando. Em abril, a Instituição apresentou na Câmara Municipal de Cuiabá um novo fluxo de atendimento em saúde mental.

Construído pelo SGaedic Saúde Mental e pela CTAI em conjunto com a rede local, o documento é um guia prático para organizar como o paciente entra e é acompanhado no sistema público.

O objetivo da Defensoria é transformar esse guia em uma lei, garantindo que a assistência ao cidadão funcione bem, independentemente de trocas de prefeitos ou gestores.

Saiba mais: Defensoria apresenta fluxo de atendimento na Câmara para facilitar acesso à saúde mental em Cuiabá

Com informações da Secretaria de Comunicação Social/ALMT.