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DIREITOS DAS MULHERES


Escola Superior da DPEMT promove debate sobre misoginia e dá posse à nova diretoria da ABMCJ-MT

Evento celebrou o Dia Nacional da Mulher com foco no enfrentamento à violência estrutural e na educação como ferramenta de prevenção

Por Alexandre Guimarães
30 de de 2026 - 16:58
Fernanda Borralho/DPEMT Escola Superior da DPEMT promove debate sobre misoginia e dá posse à nova diretoria da ABMCJ-MT


Na manhã desta quinta-feira (30), a Escola Superior da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (Esdep-MT) realizou a roda de conversa “Reflexões sobre a Misoginia”.

O evento, sediado no Edifício Pantanal Business, em Cuiabá, reuniu membros da instituição e representantes da sociedade civil para debater as raízes do ódio e da aversão ao gênero feminino.

De acordo com especialistas em estudos de gênero, a misoginia é o ódio, desprezo ou aversão extrema às mulheres. É um comportamento que desvaloriza o feminino e considera as mulheres inferiores aos homens.

A solenidade também marcou a posse da nova diretoria da Associação Brasileira de Mulheres de Carreiras Jurídicas de Mato Grosso (ABMCJ-MT) para o triênio 2026-2029.

A associação passa a ser presidida pela defensora pública Tânia Regina de Matos. “Escolhemos o dia 30 de abril, Dia Nacional da Mulher, para pautar o enfrentamento à misoginia e formalizar a nova gestão da ABMCJ. Nosso compromisso inclui a fiscalização do Orçamento Mulher e a realização de um encontro regional em Cuiabá, previsto para novembro, integrando os 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”, afirmou a nova presidente.

O Dia Nacional da Mulher, celebrado em 30 de abril, foi instituído no Brasil em 1980 (Lei 6.791) para homenagear Jerônima Mesquita, líder feminista que lutou pelo sufrágio feminino e fundou o Conselho Nacional das Mulheres. A data visa fortalecer pautas como igualdade salarial, combate à violência e maior participação política feminina.

Prevenção e educação – A coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), Rosana Leite, ressaltou que a iniciativa cumpre o artigo 8º da Lei Maria da Penha, que estabelece diretrizes para políticas públicas de prevenção.

Segundo ela, o enfrentamento à violência de gênero exige vigilância constante: “A misoginia é estrutural e se manifesta não apenas no ódio explícito, mas em frases de efeito, piadas e tratamentos diferenciados que inferiorizam a mulher”.

A segunda subdefensora pública-geral, Maria Cecilia Alves da Cunha, reforçou que a misoginia funciona como um estágio anterior à agressão física, silenciando vozes femininas.

Para ela, a solução reside em uma mudança cultural profunda: “Não é possível enfrentar a violência contra a mulher sem dialogar com quem foi socializado dentro dessa lógica. É preciso envolver meninos e homens desde cedo na educação para o respeito e fortalecer grupos reflexivos voltados à conscientização e responsabilização”, sustentou.

Também participaram do evento a deputada federal Gisela Simona, a delegada-geral adjunta, Ana Paula de Faria Campos, Cenira Evangelista, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Angélica Angulo, presidente da Associação Brasileira de Advogados, Elis Prates, coordenadora do Fórum de Mulheres Negras, Francielle Brustolin, coordenadora da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa, e Cláudia Magnânimo, presidente da Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Várzea Grande (BPW Várzea Grande).