Kanaiu Mehinako explica que o nome acompanha toda a trajetória da pessoa e carrega um valor que vai além da identificação civil. "É uma tradição do índio xinguano. Passamos o nome para o filho, quando ele cresce, quando casa, até morrer. A gente gosta dessa tradição porque é como nos sentimos", afirmou.
Apesar da importância cultural, muitas dessas alterações não são reconhecidas formalmente pelos registros civis, o que gera dificuldades no acesso a serviços públicos, documentos e direitos básicos.
A diretora escolar ligada à educação indígena, Katia Letícia Trevisan, explica que a demanda existe há anos e que muitos indígenas aguardavam uma oportunidade como essa para buscar a regularização.
“Muitos estavam há muito tempo esperando esse tipo de auxílio, tendo em vista que o município não consegue atender toda a demanda dos povos indígenas”, afirmou.
Ela destaca que o nome registrado em documento muitas vezes não corresponde à forma como a pessoa é reconhecida dentro da própria comunidade.
“Para eles, é muito importante ter no registro o nome pelo qual realmente se reconhecem. O problema é que a legislação não abarca totalmente essa cultura, porque a troca de nome, na regra geral, só pode ser feita uma vez na vida”, explicou.
A atuação da Defensoria busca justamente garantir que essas especificidades culturais sejam respeitadas, permitindo que a documentação acompanhe a realidade e a identidade de cada pessoa.
Durante o Defensoria Até Você – Edição Indígena, além das retificações de nome, são oferecidos gratuitamente serviços como emissão de documentos, testes de DNA, orientações jurídicas, atendimentos previdenciários e sociais, ampliando o acesso à cidadania para a população indígena e moradores da região.